4 armadilhas financeiras: não seja a próxima vítima

Infelizmente, nós brasileiros temos a cultura de não planejamento da própria vida financeira, incluindo aí o péssimo hábito de endividamento sistemático, seja para a compra da casa própria, seja para a compra de carro novo, sempre mais caro que o padrão de vida permite, viagens, roupas, cosméticos, lazer, etc, quase sempre acima do limite da própria capacidade, do dinheiro que tem no bolso ou disponível em conta corrente.

Com base nessa cultura e sabedores de quanto somos vulneráveis, bancos, financeiras, operadoras de cartões de crédito e lojas inundam a mídia com propagandas de estímulo ao endividamento, à obtenção de dinheiro “fácil” e ao consumo irresponsável. Como forma de se proteger de endividamento desnecessário, é bom ter atenção para estas 4 “pegadinhas” das quais podemos ser vítimas.

1) Cheque Especial: Os bancos oferecem um limite de cheque especial, teoricamente dentro do que você pode pagar, com juros abusivos, e você tende a usar, como se aquele cheque especial fosse uma complementação do seu salário.

2) Empréstimos: Os bancos e financeiras oferecem empréstimos, com juros abusivos e pagamentos “a perder de vista”. Se ao longo do período de pagamento você conclui que não está podendo pagar as parcelas mensais, há sempre um gerente, muito solícito, que aumenta o prazo de pagamento e oferece um valor complementar, o que ao invés de resolver, irá aumentar, às vezes perpetuar, o seu problema.

3) Empréstimos Consignados: são oferecidos, teoricamente, até o limite de 30% do seu salário, com juros mais baixos que os empréstimos bancários, descontados na folha de pagamento. Você, na hora da necessidade, esquece que este valor é calculado sobre o salário bruto, ou seja, no final do mês, do valor a receber serão descontados impostos, INSS e a prestação do consignado. Então o mês começa com aproximadamente metade daquele salário que você acha que recebe.

Em pouco tempo você poderá concluir que o pagamento das prestações está impossibilitando a sua sobrevivência e irá renegociar o prazo de pagamento junto à financeira. Como no caso anterior, aparece um gerente solícito que irá dilatar o prazo e oferecer um valor complementar. Atenção, dívida em cima de dívida, não é solução.

4) Cartões de Crédito: é muito comum achar que os cartões de crédito, onde são cobrados os maiores juros do mercado, são mágicos… pode-se comprar sem ter o dinheiro na mão ou em conta corrente e não haverá problemas para pagar a conta com o salário do mês seguinte.

Esse pensamento acaba ocorrendo diversas vezes em um mês, em outras compras, e a consequência é que na data de pagamento das faturas não há disponível, em sua conta corrente, o valor para pagamento integral. Sem alternativa, a fatura em questão é parcelada, e, muito provavelmente, você vai entrar numa ciranda financeira, da qual não vai conseguir sair ileso.

Essas armadilhas estão aí no nosso dia a dia e, na situação atual em que vivemos, a chance é muito grande de cair em uma ou mais de uma delas. Em caso de desemprego e com as contas mensais para pagar, como fazer? Não há uma saída mágica.

A solução é uma só: cuide bem do seu dinheiro! Faça o planejamento financeiro das suas contas como se fosse uma empresa.

Use a fórmula infalível: [recebimentos] – [despesas] tem que ser [igual ou maior do que zero]. O desejável é que em situação normal essa diferença seja maior que zero com uma parte do salário aplicada em um fundo de reserva, tais como Poupança, fundos de aposentadoria, e outros.

Isso, em média, é difícil conseguir uma vez que significa viver, no dia a dia, com um valor para gastar menor que o que vem no demonstrativo salarial. Mas tenha certeza que será muito útil em caso de despesas imprevistas, (fique certo que elas ocorrem), ou em caso de um período sem renda ou com a renda reduzida.

Adquira o hábito de fazer um planejamento anual e mensal das suas despesas – é um exercício considerado difícil para grande parte das pessoas, mas que deve ser encarado como um desafio.

Encare esse Planejamento de frente – no início é assustador descobrir, por exemplo, a quantidade de pequenas despesas que, somadas, provocam um rombo no seu orçamento, os juros e outras despesas bancárias que estão sendo pagos todo mês, os gastos com supérfluos, as despesas que podem ser reduzidas facilmente, mas, que por comodidade são pagas rotineiramente…

Compartilhe o seu Planejamento e controle de despesas com os seus familiares. Se mal informados da real situação financeira da casa, eles irão contribuir para o aumento de gastos e de endividamento. Por outro lado, se devidamente informados poderão compreender a situação, contribuir com a redução dos custos e colaborar com soluções alternativas de aumento de renda.

Acompanhe os seus custos no dia-a-dia, comparando com o que foi planejado. Verifique o que está fora do planejado e faça os acertos necessários. Lembre: você é o gestor das suas finanças, cuide delas.

Por Mercês de Ataíde Paiva, 61 anos, engenheira, consultora em planejamento e controle das finanças pessoais

Por | 2017-07-25T11:16:04+00:00 14/06/2016|2 Comentários

2 Comentários

  1. Babyne Neiva de Gouvêa Viana Costa 15/06/2016 em 09:34 - Responder

    Bom e oportuno o artigo da consultora Mercês Ataíde sobre controle financeiro. Serve de alerta para uma melhor conformidade entre receitas e despesas pessoais, notadamente nos dias atuais.

    • Fabrício Yutaka Fujikawa 23/06/2016 em 18:34 - Responder

      Muito obrigado pelo comentário, Babyne!

      Um abraço,
      Fabrício

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