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Ana Adelaide Peixoto

Ana Adelaide Peixoto, é uma paraibana que enche de orgulho suas conterrâneas e alimenta com viva esperança as mulheres da sua geração. Professora do Departamento de Letras Estrangeiras e Modernas, da Universidade Federal da Paraíba, admiradora, estudiosa e conhecedora da obra e vida de Virginia Woolf, acaba de lançar dois livros de crônicas que registram com talento e um olhar peculiar vidas, cidades, pessoas, comportamentos. “Brincos pra que te quero” e “De paisagens e outras tardes” chegaram para divertir, fazer refletir e inspirar. Ana, além dos seus escritos, nos deixa o exemplo de uma mulher recém entrada nos 60 que aprende a driblar a tristeza de uma viuvez avassaladora com uma grande determinação de seguir apaixonada pela vida com leituras, músicas, arte e viagens. Muitas viagens. Esbanja classe, estilo e beleza. Tem dois filhos homens, três irmãs e uma infinidade de amigos próximos e distantes.

Ela compartilha a experiência da empreitada de entrega e batalha que é escrever e publicar um livro. Ter lançado dois de uma vez já diz muito sobre sua personalidade vibrante. Eis o seu relato, passo a passo encorajador para quem tem seus escritos guardados e ainda hesita:

“Fazer um livro é trabalho de muitos anos. Muito exercício. Muito papel jogado fora. Muitas horas no computador. Muitos ouvidos. Muitos olhos. E muitos leitores. Ao longo de quase 25 anos, me atrevi a escrever, publicar, mostrar, ouvir, e trocar.

Lançar um livro não é coisa para amador. E eu escrevendo crônicas e afins há mais de vinte anos, sempre soube disso. Talvez por isso nunca tenha tido a coragem e ousadia para tal. Agora me arvoro. Lanço-me ao abismo. Sem rede de proteção.

Comecei a publicar minhas crônicas no início dos anos 90. Percorri os jornais O Norte, Correio da Paraíba e depois me disciplinei semanalmente no site www.wscom.com.br, a convite do jornalista Walter Santos, que gosta e vibra com o meu texto. Mais recentemente publico também no jornal.

Já venho organizando esses textos há alguns anos. Mas sempre fui deixando para lá. E cá! Nesse espaço de tempo, meu marido Juca, foi-se, e eu não tive ânimo para mais nada que me exigisse atenção, disciplina e determinação. Depois de um ano, lembrei também de que havia começado esse trabalho extenuante e que merecia o pouso do meu olhar. E é chegada a hora de que a vida é sim soberana! E fui meter mão na massa. Digo nos textos. Processo longo de leitura, organização, seleção, perdição…

A minha primeira ideia seria fazer um livro de tudo o que eu já tinha escrito. Uma seleção patchwork dos retalhos da minha escrita, e dos temas que me permeiam: mulheres, cotidiano, memórias, viagens, cinema… Mas quando vi, estava com o tema das memórias imperando sobre os outros. Mas o material era grande em termos numéricos. E fui cortando… cortando… mas mesmo assim, constatei que havia dois livros. E assim, pulei no abismo duplamente.

O primeiro livro, tem o título de Brincos prá que te quero? são as crônicas mais pessoais. Passeios pelas minhas vivências, buscas, vestidos, namoros, família, trabalho, e brincos! O segundo, De paisagens e outras tardes, falo também das memórias, mas do portão para fora. É um bairro, um evento, uma personalidade, um poeta, um carnaval, um São João, mas como separar o público do privado? Também percebi que um está intrinsecamente ligado ao outro. Veremos!

Chamei a professora Lúcia Sander, carioca radicada em Brasília para fazer a apresentação dos Brincos. E porque alguém de longe? Pelo fato de conhecê-la há algumas décadas através das pesquisas/seminários Mulher e Literatura, mas não só. Lúcia é uma estudiosa de Shakespeare e também é atriz performática e fez parte da Banca de defesa de tese do meu Doutorado. Trocamos muitas ideias sobre As Horas nos guardanapos dos cafés que tomávamos durante trabalho! A sua fala na minha defesa, e olha que estamos falando de academia e de um rito, Lúcia fez uma defesa/análise do meu trabalho e do meu percurso, focada na construção e ritmo da minha fala. Por mais desorganizada que parecesse. Foi quase uma continuação à uma Conferência da professora Ria Lemaire, no X Seminário Mulher e Literatura, acontecido aqui em João Pessoa, 2005, quando esta na sua fala de encerramento faz menção à minha escrita/oral sobre os assuntos cotidianos, e que viu na minha oralidade uma forma. Essa autorização, e mais o reforço dos leitores que estão sempre a me empurrar nesse espaço do salto, foram responsáveis também pela exposição que agora me proponho.

Já no segundo livro, De paisagens e outras tardes, convidei a escritora e amiga de anos Vitória Lima, para escrever o prefácio. Vitória me acompanha na vida e na escrita, uma vez que agora também se aventura nas crônicas da cidade, e dividimos mais esse fazer. Das duas professoras tive o prazer de tê-las percorrendo os meus textos, e observando análises nunca dantes por mim navegadas. E desde já agradeço e me emociono.

Etapa seguinte? Convidar o editor e querido Juca Pontes para organizar o livro. Já há alguns anos mantínhamos esse contato. Mas só em 2015 batemos todos os martelos. Flávio Tavares, que já pintou muitas das capas de livros de escritores locais, foi o escolhido por mim também. Admiração pelo traço e uma certa intimidade que a vida nos deu! Antonio David com seu olhar sertanejo e marítimo, mas principalmente do cotidiano da nossa cidade, foi quem fotografou o quadro (coleção particular e um retrato meu pintado em 1974), que compôs a primeira capa. E Rodolfo Athayde, outro fotógrafo que sabe dos ângulos e dos queridos anônimos, fez a minha foto para a divulgação. Foto essa que também fez parte de uma sessão para outros fins. Mas aí é outra estória! Quem fez o livro? A gráfica JB, e os meus agradecimentos a Sérgio Baptista.

E agora, é chegada a hora somente do prazer. Do prazer do texto! Da perda do pudor. Do des-nudamento de qualquer sombra de dúvida. Ou de todas as dúvidas? Mergulhar nas profundezas das crônicas sem fim. E o livro será todo de vocês. Leitores!

Brincos, prá que te quero? E de paisagens, tardes e outras saudades põe um ponto de interrogação e/ou de exclamação em uma outra fase da vida. Quem sabe dá certo? Quem sabe eu gosto!”

Ana Adelaide Peixoto, João Pessoa 21 de março de 2016.

À venda em http://www.estantevirtual.com.br/oSeboCultural

Sortearemos 2 livros da autora entre os assinantes de nosso boletim. Para participar, inscreva-se gratuitamente em: http://eepurl.com/bvDk3D. O sorteio será realizado em 09/05/2016.

Por | 2017-09-05T20:14:59+00:00 24/09/2016|6 Comentários

6 Comentários

  1. Angela de Vilar Pessoa Trigueiro 24/04/2016 em 13:39 - Responder

    Show de bola Ana Adelaide . Parabéns .

  2. Babyne Neiva de Gouvêa Viana Costa 24/04/2016 em 17:39 - Responder

    Ler Ana Adelaide me faz lembrar o filme’ Colcha de Retalhos’, cujo tema central mostra o amor sob a perspectiva feminina. É assim quando leio essa escritora, vejo o amor em todos os temas por ela escolhidos, sejam descrições de viagens, sobre amores vividos e, algumas vezes perdidos, sejam filmes assistidos, livros lidos, música aproximando corpos e sentimentos, enfim, lê-la é encontrarmos em suas ricas histórias o significado do amor por todos nós precisados.

    • Marta Pessoa 24/04/2016 em 17:54 - Responder

      Você fez um belo resumo do que os escritos de Ana nos trazem de emoções. 🙂

  3. Ana Adelaide Peixoto 24/04/2016 em 21:37 - Responder

    Eu aqui mais que prateada de tanta alegria de me ver nesse site! Muito feliz de dividir minhas estórias e meus brincos com vocês!!❤️❤️

  4. Nadilza M. de B. Moreira 14/08/2016 em 12:12 - Responder

    Querida Ana Adelaide, parabéns por estar ocupando mais este espaço e poder dar a si e a sua obra, recém-lançada, uma maior visibilidade; suas crônicas merecem este espaço, assim como a sua pessoa, criativa e versátil. Parabéns, amiga. Não tenho dúvidas de que a sua presença atuante será uma marca a mais neste grupo seleto do “Mundo Prateado”. Aliás, muito obrigada por tê-lo me mostrado, estou curiosa por conhecer uma literatura brasileira sobre o “envelhecimento” feminino no nosso país, o Brasil. Vivemos um momento muito novo com uma população crescente de idosos, só não sei ao certo se tal fenômeno se estende a todas as classes sociais brasileiras. Sucesso, minha querida.

    • Fabrício Yutaka Fujikawa 15/08/2016 em 22:22 - Responder

      Muito obrigado pelo comentário e por participar de nosso grupo, Nadilza!

      Um abraço,
      Fabrício

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