A sua voz está diferente? Descubra o que é Presbifonia, o famoso envelhecimento da voz

envelhecimento da voz

Texto Luiza Morena

Alguma vez já aconteceu de confundirem a sua voz? É algo que tem ocorrido com frequência nos últimos tempos? Não se assuste, o envelhecimento da voz é sim um processo natural, mas há diversas maneiras de amenizá-lo. Quem explica é a fonoaudióloga Norma Zanatta

“Com quem eu estou falando?”. Não estranhe se em uma tarde qualquer ao atender ao telefone o interlocutor lhe fizer essa pergunta. Inclusive se o mesmo for um conhecido de longa data ou familiar. Com o passar dos anos – especialmente na segunda metade da vida – alterações biológicas no organismo se tornam responsáveis por modificar o tom de voz de homens e de mulheres e até mesmo de assemelhá-los.

O nome pode remeter à doença, mas a Presbifonia é um processo natural de envelhecimento da voz. Ou seja: não há como escapar. Observa-se um aumento da frequência fundamental nos homens e a redução da frequência fundamental nas mulheres, portanto, a voz dele fica um pouco mais fina enquanto a dela se torna um pouco mais grossa. Está ai o fator responsável por tornar a voz dos indivíduos tão parecidas na senescência.

Mas as alterações não dizem respeito apenas ao timbre. Há também uma redução no tempo máximo de fonação, o que faz com que o idoso reduza a velocidade de fala e frequentemente necessite de mais pausas articulatórias. A causa dessas mudanças está relacionada a fatores biológicos como o processo de atrofia das glândulas salivares, que interferem na produção de saliva e causam a sensação de boca seca, à calcificação das cartilagens da laringe, o que leva a uma redução da mobilidade laríngea e até à atrofia muscular – a mesma que acontece com os demais músculos do corpo. Isso sem falar na capacidade vital dos pulmões, que também sofre redução.


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Produzida na laringe, órgão localizado no pescoço e que abriga duas pregas vocais, a voz é um som formado pela vibração do ar – em média, 100 vezes por segundo nos homens e 200 vezes por segundo nas mulheres – que é retirado dos pulmões pelo diafragma e que passa pelas cordas vocais sofrendo alterações influenciadas pela boca, lábios e língua.

Há muitas partes, portanto, capazes de interferir em seu processo de envelhecimento – isso sem falar dos fatores não biológicos inerentes a cada indivíduo, como seus hábitos alimentares, ingestão de álcool ou outras substâncias ilícitas, tabagismo, profissão em que atua (cantores e professores, por exemplo, tendem a desenvolver a presbifonia precocemente caso não façam exercícios de manutenção da voz e de prevenção), realização de atividade física, refluxo gastro-esofágico, baixa ingestão de água, entre outros. Fatores hereditários, ambientais e psicológicos também possuem a sua parcela de influência, especialmente com relação a um possível envelhecimento precoce da voz.

Cuide da voz para que ela acompanhe sua longevidade

É bastante comum nos dias de hoje que os discursos com relação ao envelhecimento permeiem o tema da longevidade, nunca antes tão vislumbrada e também tão possível. Acontece que o corpo humano mantém muitas questões genéticas ainda a serem estudadas com relação a uma vida longínqua.

No que diz respeito à voz, especificamente, é identificado um período de melhor desempenho vocal bastante jovem, que se estende dos 25 aos 40 anos de idade, limite flexível, mas que delimita o surgimento de uma série de alterações estruturais e biológicas como as já citadas anteriormente.

Nas mulheres, de acordo com a fonoaudióloga especialista em gerontologia pela Unifesp, Norma Zanatta, esse envelhecimento costuma ocorrer de maneira mais precoce ainda e, no geral, tem como primeiros sintomas a voz cantada, em que se perde a capacidade de modulação da voz, ocasionando a diminuição da extensão vocal e gerando a perda dos agudos.

Há uma série de medidas que podem ser tomadas com o intuito de abrandar o envelhecimento da voz, explica a especialista, inclusive, um treinamento fonoaudiólogo específico conhecido como reabilitação vocal para minimizar essas interferências. Através do tratamento, é possível recuperar parcialmente a funcionalidade da voz, deixando-a mais forte, adequada ao sexo e com maior flexibilidade para ser projetada no ambiente se o contexto exigir.

Para os que usam a voz como instrumento de trabalho é indicado ainda o aquecimento e desaquecimento vocal a fim de favorecer uma produção sonora sem abuso ou esforço, sempre acompanhada de um profissional.

Uma dica importante para aqueles que desejam manter a sua voz jovem é ter um alto grau de hidratação, já que a redução do consumo de água – bastante comum nos idosos – faz com que a mucosa da laringe e da boca permaneçam desidratadas, o que reduz os movimentos muco-ondulatórios das pregas vocais e prejudica a produção vocal.

A especialista ainda cita outros cuidados, como falar sem esforço e sem gritar, evitar pigarros e atentar para as tosses, pois ambos machucam as pregas vocais, além de manter a respiração livre ao realizar atividades físicas, evitando conversas durante caminhadas intensas, corridas ou ginásticas.

Atenção! Essa sua tosse ou pigarro pode não ser um sintoma de Presbifonia

É comum associar a tosse seca e o pigarro à presbifonia, porém Norma adverte: “quando esses sintomas tornam-se recorrentes é necessário consultar um médico. Alterações como voz trêmula, presença de ar na voz, dor ao falar, sensação de ardor e de queimação na laringe e cansaço associado à produção e impostação da voz podem ser sintomas de outras doenças, até mesmo mais graves, do que o processo de envelhecimento natural da voz.” Por isso, é importante estar atento ao seu corpo.

Sabe-se ainda que a voz é também reveladora da personalidade humana e das emoções sentidas fazendo parte, portanto, da formação sociocultural de um indivíduo. Nas pessoas com mais idade é necessário prestar muita atenção  a esses códigos, tantas vezes reveladores de doenças com fundos psicológicos.

O que achou de trazermos uma especialista para falar de temas como o envelhecimento da voz? Queremos saber a sua opinião! Não esqueça de nos deixar um comentário!

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Por | 2017-08-08T17:51:10+00:00 08/08/2017|2 Comentários

2 Comentários

  1. Rizonete Gomes 09/08/2017 em 22:22 - Responder

    muito bom o esclarecimento sobre as alterações na voz. Minha mãe está passando por esse período (95 anos!) e como é lúcida, não aceita as alterações…. Mas está fazendo exercícios recomendados pelo Otorrinolaringologista e acompanhada pela Fonoaudióloga.

    • Luiza Morena 25/08/2017 em 11:27 - Responder

      Olá Rizonete, bacana você dividir isso conosco. Ficamos felizes em poder discutir um tema tão importante. Trouxemos esse assunto justamente por observarmos poucas pessoas falando sobre, embora muita gente veja essas alterações em si ou em alguém muito próximo.

      Um abraço,

      Luiza Morena

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