Loading...

Eva Santana

Envelhecimento ativo,  empreendedorismo feminino pós 60 e estilo de vida saudável para  ter longevidade não são temas que estão na pauta de Eva Santana. Estão na veia! Aos 71 anos, ela é simplesmente uma das mais prestigiadas organizadoras de serestas do conhecido circuito seresteiro de Niterói e lota festas animadíssimas, onde faz a diferença com um jeito todo próprio de tocar o novo e bem sucedido Negócio, iniciado há pouco mais de três anos.
Seu mailling, ou simplesmente o grupo de amigos que mantém ligado em seu Face e é rapidamente ativado pelo whatsApp,  tem mais de 200 nomes. Nem o medo da violência e o frio das noites do recente inverno esvaziaram suas mesas. “Mesmo no frio minha seresta é quente”, brinca com jeitão sergipano. A razão é simples: Eva começou a frequentar apenas para se divertir, passou a cantar, porque adora, mas reparou que havia algumas fragilidades no segmento e decidiu organizar seus próprios eventos, disposta a imprimir um certo padrão de qualidade. “Eu vi que faltava brilho na festa!”, diz, muito à vontade e vibrante como um diretor de espetáculo.
Hoje, depois de se encorajar a empreender sozinha, tem certeza de que suas serestas são boas porque têm um diferencial.  Tudo porque, sem metas ou planilhas, Eva foi aos poucos incrementando o cardápio de atrações. Em primeiro lugar, organiza serestas  de mesas reservadas com o nome do cliente. “Já vi brigas horríveis porque as pessoas escrevem reservado, mas não dizem pra quem; chega o camarada, senta e diz que a mesa é dele”, explica com simplicidade. No processo de renovação do Negócio, ela aderiu aos sorteios e bingos que acontecem usualmente nos intervalos da cantoria, mas encarnou com maestria o papel de anfitriã-apresentadora e caprichou na escolha nos brindes. “Há quem sorteie garrafa de cerveja; eu compro até churrasqueira”!, se gaba.
A lista de interessados nas suas noites nunca têm menos de 30 seresteiros; para todos ficarem  satisfeitos,  ela quem define a ordem e a quantidade de músicas de cada um, “porque precisam caber  nas 4 horas máximas; não pode passar disso”. Antigamente as pessoas saíam de casa às 10 da noite e voltavam de madrugada. Em tempos de guerrilha urbana, as serestas começam as sete da noite e não passam das onze, senão os vizinhos reclamam. Enquanto os músicos cantam,  ela  percorre as mesas para saber se está tudo bem, exibe os brindes e atrai o povo para as brincadeiras que acontecem nos intervalos, quando descansam os músicos da banda, composta por cavaquinho, violão e bateria.
Quando o espaço é grande e seu equipamento de som não dá conta,  aluga um maior, “mais profissional”. E assim está composto o cenário de seus bem sucedidos e sustentáveis eventos, fonte de receita e muita satisfação. As serestas são, por essência, um lugar onde  pessoas de todas as idades vão para cantar, dançar e namorar; mas é, sem dúvida, o espaço predileto para os de idade mais avançada se divertirem e arriscarem a busca por um novo par romântico. “Tem um senhor de 86 anos que arrumou uma namorada de 78  e eles vão se casar. Se conheceram na minha seresta!”, comemora, alegre com os frutos do trabalho que é o novo gás da sua vida também.
“Estou morta, mas renovada; começaria tudo outra vez, se preciso fosse”, parafraseia o poeta num domingo de manhã, depois de tocar uma animada seresta de sábado à noite. Eva é um exemplo  de como é possível encontrar novos caminhos para a felicidade e ainda ter função social, independente da idade. Uma de suas recentes serestas itinerantes ganhou caráter beneficente; aconteceu em frente ao Abrigo Cristo Redentor, que estava em dificuldades, e em lugar do ingresso pago, que tem custo médio de dez reais,  o público  levou mantimentos. Foram 109 quilos de café e 204 pacotes de fraldas doados à instituição. “Não ganhei dinheiro, mas fiquei tão satisfeita”….
Gostou dessa história? Leia mais sobre empreendedorismo na terceira idade!
Por | 2017-10-01T19:18:29+00:00 01/10/2017|0 Comentários

Deixar Um Comentário