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José Lourenço

Mudar de emprego depois dos 68 não é para qualquer um. Mas foi para José Lourenço. Vigia de uma creche pública no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, ele chamou a atenção de Cristina Ferreira, então diretora da escola, que abriu uma padaria num pequeno shopping da Barra e o convidou para assumir o Caixa. “Precisava de alguém de confiança”, ela diz. Contrariando algumas das teorias sobre desempenho de idosos no trabalho, José Lourenço recebeu treinamento, aprendeu rápido e assumiu todas as tarefas que lhe foram propostas além das suas, de fechar contas e dar troco para os clientes. A franquia, naturalmente, sugeria outro perfil, mas ela apostou na experiência e carisma do ex-parceiro de trabalho, certamente um dos motivos pelos quais os clientes já se tornaram fiéis ao lugar. Agora tem gente que chega perguntando por ele!

A idade não preocupa José Lourenço. Esbanjando saúde, ele diz que quando sente alguma dor, simplesmente esquece! Chateia-se com muito pouca coisa na vida e jamais se importa em ser tratado como idoso. “Eu sei que sou velho”, admite sorrindo. Mas tem um assunto capaz de nublar sua expressão de alegria: uma certa culpa por não ter dado a devida atenção aos filhos, quando pequenos. Mas logo volta a sorrir e adianta que agora eles já são grandes e é tempo de resgate; em maio vem o primeiro neto.

Assim a vida segue em boa fase. Apaixonado por futebol – “aproveito que não pago e vou a todos os jogos do Maracanã e do Engenhão” -, ele confessa, com ar levado, que de vez em quando acorda às cinco da manhã para jogar no computador. Seu estilo de vida inclui caminhadas na areia e passeios de bicicleta pela orla do Recreio. Nem pensa em se aposentar, porque só trabalha na parte da manhã e um dos melhores momentos do dia é a hora do recreio do colégio em frente, quando a garotada vem lanchar na padaria. É quando ele se sente mais jovial e aproveita para fazer a piada preferida: “tem três coisas excelentes nessa padaria: o pão de queijo, o bolo indiano e eu”!

Por | 2017-07-18T14:18:24+00:00 08/04/2016|8 Comentários

8 Comentários

  1. José 20/04/2016 em 11:23 - Responder

    Excelente entrevista, sem contar com a nossa jornalista super gente boa e educada!!

    • Marta Pessoa 22/04/2016 em 08:03 - Responder

      Que bom que gostou da entrevista, José! Obrigado também pelas gentis palavras sobre “nossa jornalista”. 🙂

      Um abraço,
      Marta Pessoa

  2. Claudia 20/04/2016 em 13:07 - Responder

    Parabéns sr.Ferreira você merece!

    • Marta Pessoa 20/04/2016 em 15:11 - Responder

      Muito obrigado pelo comentário, Claudia! Aproveitando o contato, que tal assinar gratuitamente nosso Boletim de Novidades do Mundo Prateado, para receber por e-mail novos artigos e textos? http://eepurl.com/bvDk3D

      Um abraço,
      Marta Pessoa

  3. patricia freitas 20/04/2016 em 23:17 - Responder

    Parabéns sr.ferreira ! E isso mesmo desistir nunca!lições de vida.

    • Marta Pessoa 22/04/2016 em 08:02 - Responder

      Muito obrigado pelo comentário, Patricia!

      Um abraço,
      Marta Pessoa

  4. Erika 20/04/2016 em 23:35 - Responder

    Gente! Seu José… Q saudade da época que eu trabalhava na creche e ele era o porteiro.

    Tá de parabéns, viu? Jovem é um estado de espírito e ele tem de sobra mesmo.

    • Marta Pessoa 22/04/2016 em 08:01 - Responder

      Olá Erika,

      Que bom que trouxemos boas recordações para você. Muito obrigado pelo comentário!

      Um abraço,
      Marta Pessoa

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