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Maria Elisa Carrazzoni

Maria Elisa Carrazzoni, 86 anos de plena lucidez, foi diretora do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, entre 1970 e 1976. Gaúcha, veio ainda criança para o Rio, acompanhando o pai jornalista que era amigo de Getulio Vargas e concordou em trabalhar com ele.

Formada em Museologia, foi para Paris, em 1967, estudar. Seus lindos olhos azuis brilham quando fala da experiência de ter trabalhado no Louvre. Fala com orgulho, também, do trabalho de levantamento e preservação de prédios históricos feito para o Ministério dos Transportes.

Conta que há 13 anos toma conta da irmã mais velha, portadora de Parkinson, supervisionando as cuidadoras, assumindo a gestão de outra casa além da sua e sendo responsável pela interação com os médicos. Relata que não é tarefa fácil e reconhece as dificuldades enfrentadas pelas 3 cuidadoras que dão assistência direta à irmã. Diz achar pesado e solitário cuidar de idosos.

É solteira, sem filhos e mora sozinha. Depois de aposentada sempre cuidou para ter atividades que mantivessem seu interesse por viver: faz exercícios regularmente e lê muito. As caminhadas de que tanto gostava agora estão prejudicadas em razão de artrose no joelho direito. Mas esta dificuldade não a impede de sair todo dia para almoçar fora.

Adora a internet, usa whatsapp e é entusiasta do netflix como alternativa “à chatice em que se transformou a televisão”. Acha que a tecnologia pode ajudar muito a quem vive só depois de idoso e espera contar com ela quando chegar a sua vez de precisar.

Fala, com resignação, que o lado ruim de ter muita idade é ir perdendo as amizades. Já viu morrer quase todas das melhores amigas. Pensa, de vez em quando, em como será quando precisar que alguém tome conta dela. Mas pensa sem se deprimir. Com curiosidade sobre como será o final.

Maria Elisa é comunicativa, não recusa um papo, muito simpática e ativa. Sem grandes queixas, deixa a todos com quem conversa uma esperança de horizonte menos sombrio sobre o envelhecer.

Por | 2016-10-12T15:49:35+00:00 12/10/2016|7 Comentários

7 Comentários

  1. Márcia Sanches 20/04/2016 em 10:06 - Responder

    Parabéns!!!!

  2. Claudio Roberto Travassos Tagliari 15/10/2016 em 15:20 - Responder

    Bela reportagem sobre uma vida admirável aos olhos de patrimonialistas culturais. Estive com Maria Elisa quando de sua decisão de implantar o Centro de Memória Ferroviária da RFFSA em São Leopoldo (RS). Devido a este seu papel fundamental, busco ajuda para entrar em contato com ela em vista de uma pesquisa de mestrado sobre o referido museu, feito por uma colega historiadora. Agradeço se puderes indicar-me fone ou endereço de domicílio.

    • Fabrício Yutaka Fujikawa 18/10/2016 em 16:56 - Responder

      Olá Claudio,

      Muito obrigado pelo comentário. Entraremos em contato com a Maria Elisa e retornaremos diretamente para seu e-mail, tudo bem?

      Um abraço,
      Fabrício

  3. Cinara Isolde Koch Lewinski 17/10/2016 em 08:28 - Responder

    Olá, Marcia,
    Parabéns pela reportagem. Maria Elisa Carrazzoni merece este destaque.
    Gostaria de aproveitar o espaço para dizer que estou desenvolvendo um trabalho de História sobre um dos prédios históricos preservados por ela, na época em que trabalhou como coordenadora num programa para o Ministério dos Transportes.Será que você poderia me passar os contatos de Carrazzoni por email?

    • Fabrício Yutaka Fujikawa 18/10/2016 em 16:55 - Responder

      Olá Cinara,

      Muito obrigado pelo comentário e interesse! Entraremos em contato com a Maria Elisa para colocar você em contato com ela e retornaremos diretamente para seu e-mail, tudo bem?

      Um abraço,
      Fabrício

  4. Elizabeth Villaça 08/11/2017 em 00:15 - Responder

    Lindo depoimento dessa senhora que sabe aproveitar, com sabedoria, essa nova fase da vida. E aproveitando tudo de bom que as novas tecnologias têm a oferecer! Parabéns!!!

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