O mundo envelheceu sem um direcionamento da atenção

A redundância é necessária: vamos começar do começo. Prazer, Luiza Morena.

Se você acompanha o Mundo Prateado (por aqui ou através do nosso Facebook) já deve ter visto o meu nome em algumas matérias ou nos e-mails que escrevo carinhosamente toda semana para vocês, mas não sei ao certo qual a impressão costumo passar. Por isso, pergunto: quantos anos você acha que eu tenho?

Nesse momento estou fazendo um bolão imaginário meu comigo mesma para ver se alguém vai acertar. Então, por favor, para méritos de realização pessoal – mesmo que você vá ler já a minha idade – pode deixar nos comentários a sua ideia inicial? Obrigada!

Pois bem, tenho 24 anos e espero não me afastar de vocês ao contar isso. Pelo contrário, quero estar cada vez mais próxima e foi por isso que encarei o Mundo Prateado como uma chave mestra para a porta cheia de fechaduras e trancas que há dentro da minha cabeça.

Desde pequena, convivi intensamente com os meus avós, porque morávamos na mesma casa e fui criada com algumas regalias que só quem pode desfrutar dessa convivência tem, assumo. Meus avós, D. Iza e Sr Nilo, naquela época com 61 e 66 anos, respectivamente, sempre foram para mim um exemplo: ele dirigia e me levava para todos os lugares, ela cuidava de mim (e de todos na casa). Eles viajavam, saíam bastante, havia churrasco todo o final de semana e a minha avó, já aposentada, iniciou uma parceria com a minha madrinha, aos seus 67 anos, para começar a produzir toalhas de mesa para restaurantes.

Como é bom recordar essa fase… E a minha cabeça vai longe: será que naquela época os 60 já eram os novos 50, como dizem por aí hoje, e só não se falava muito disso, porque a internet ainda era discada e dava uma preguiça danada esperar dar meia noite para conectar? Tenho certeza que se existisse Facebook naquela época só quem tem insônia trocaria likes… Bom, voltemos ao texto e vou deixar a saudade de lado, pois o que preciso falar é que o tempo passou. Acontece que vinte e poucos anos depois, embora continue loucamente apaixonada por eles, os meus avós, carrego comigo uma preocupação sem tamanho.

Hoje a D. Iza tem os seus 83, orgulhosamente recém-completados, e o Sr Nilo fará 88 ainda esse ano. Uau. São vidas inteiras. Inteiras? Eu me pergunto. As saídas estão reduzidas ao shopping e a uma série de médicos organizados em uma planilha, os churrascos só marcam os aniversários. Na casa deles ainda tem piscina. Quase ninguém usa e dá trabalho limpar. O vô ainda dirige, mas se for para algum lugar distante eu assumo o volante, porque segundo ele sou a sua “pilota de fuga”. O tempo passou para eles, para nós e não quero te assustar, mas para você, para o Brasil e para o mundo também. Mas calma, agora é que vem a bomba: estamos envelhecendo e não falta tanto assim para os mais velhos serem a maioria na sociedade.

Por isso, não tente evitar, não dá para fugir: precisamos falar sobre o envelhecimento, sobre as novas possibilidades para essa parcela da população que vive cada vez mais, porém com piores condições. O lazer não é para eles, a política não é feita pensando neles, as ruas e obras públicas esquecem que suas pernas são mais fracas, que cansam e que precisam de ajuda… Não quero ser negativa: estamos melhorando a cada dia, o assunto está ganhando visibilidade aos poucos e foi isso que enxerguei no Mundo Prateado, uma potência. O que de acordo com o dicionário quer dizer: poder, força, vigor, autoridade, capacidade de realizar. Acrescento ainda: oportunidade.

Foi quando comecei a escrever aqui, pensando em poder ajudar aos meus avós, que a primeira fechadura – aquela da minha cabeça. Lembra? – se abriu, mas com o passar dos meses parece que me tornei um imã para o assunto. Meus olhos e ouvidos estão atentos e com isso outras fechaduras abriram-se sozinhas, no dia a dia, e muitas vezes longe do trabalho. Para você ter uma ideia a última se destrancou em um sinal de trânsito de um cruzamento muito, muito rápido no Largo do Machado, o bairro dos coroas. Tenho certeza que só um idoso atleta para conseguir chegar à última listra da faixa de pedestre sem ouvir uma só buzina estressada dos carros. Mas isso é assunto para outro dia…

O que quero dizer é que custou para eu me ver, de fato, imersa nesse mundo, mas hoje percebo que não existe mágica, chama-se direcionamento de atenção. E é o que eu desejo para você a partir de agora, independentemente da sua idade.

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Por | 2017-07-25T09:34:50+00:00 26/06/2017|2 Comentários

2 Comentários

  1. Fabrício Yutaka Fujikawa 29/06/2017 em 04:03 - Responder

    Muito bacana seu relato, Luiza! Sinta-se privilegiada por ter despertado para o tema tão cedo. Privilégio do Mundo Prateado também em tê-la na equipe 🙂

    Um abraço,
    Fabrício

    • Luiza Morena 03/07/2017 em 11:40 - Responder

      Fabrício, sorte a minha realmente ter me encontrado nessa ca(u)sa que é o Mundo Prateado!

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