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Beth Blamire

Crescer em uma redoma não foi escolha para a carioca Beth Blamire, filha única de pais idosos. Era assim: da porta de casa para dentro não existia essa de ser dona da própria sorte. Ela conta que nunca pulou muro ou subiu em árvores quando era criança. Mas aos seus 58 anos se lançou a um rapel de 45 metros de altura. O motivo da mudança não foi romantizado nem por um segundo: “chegou o momento de realizar. Ele é agora. Em 2016, fiz a minha primeira trilha a convite de uma amiga do trabalho e me apaixonei. A partir dai usei o Facebook para encontrar comunidades e eventos com esse tipo de passeio.”

Entre um grupo de jovens com uma faixa etária predominante entre os seus 18 e 35 anos lá estava Beth, por último, caminhando entre pedras e areia na subida da Pedra da Tartaruga, localizada em Barra de Guaratiba, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A quase sexagenária conta que não foi fácil, mas ter o apoio dos integrantes da empresa de aventura a acompanhando fez com que se sentisse mais segura. “Quando decidi que faria o rapel não contei nem para os meus filhos (Beth é mãe do Vinícius e do Renato e avó do Ítalo e da Sofia), nem para ninguém da família ou do trabalho. Vai que eu “amarelasse”? Já sabia que não seria algo fácil, ainda mais indo sozinha, mas encontrar uma empresa de confiança, como a Eu Aventureiro, faz a diferença”.

Com cabelos prateados, parte da identidade que escolheu para si, a técnica de enfermagem não coloca panos quentes sobre o envelhecimento: “é um processo biológico, natural. Esqueça essa de que o corpo fala, ele grita mesmo! Não há jeito, a parte física se altera completamente, mas esse é o lado bom: tudo isso é possível de ser administrado. Já a cabeça… Sei que ainda estou amadurecendo em muitas coisas, mas a idade me fez tentar ser uma pessoa melhor. Hoje procuro me colocar em primeiro lugar, reclamar menos e aproveitar mais”.

E os filhos e netos compreendem a sua ausência nos almoços de final de semana. “Não deixo de ser avó e nem sou exclusivamente avó, entende? Agradeço a minha família por entenderem que estou vivendo um momento muito meu e que, apesar disso, estarei sempre presente na vida deles”.

Os sessenta, idade que já foi vista como os últimos anos de vida para tantos, hoje são motivo de comemoração e até de certa ansiedade para os prateados abertos a iniciar uma nova fase – seja pós-aposentadoria, em um segundo trabalho, através dos hobbies e até em novas configurações familiares. E Beth é mais um lembrete disso: “Essa experiência do rapel foi muito importante, pois consegui me provar – e a mais ninguém – de que sou capaz de vencer obstáculos, medos e ainda realizar sonhos. Claro que sei que não teria conseguido sozinha. Aquele caminho de pedras não foi nada fácil, preciso de pilates para ter mais equilíbrio, mas ainda há tempo. Não é tarde se você quiser de verdade aquilo. Estou cuidando mais da minha saúde, entrei para a academia, quero aprender a dançar… Sinceramente, se você me perguntar o que penso para os meus sessenta anos vou te responder sem dúvidas: não vejo a hora deles chegarem. Por quê? Aí ainda terei meia entrada em teatros, shows, cinema… Estou no meu momento”.

Por | 2017-09-05T16:58:44+00:00 26/06/2017|8 Comentários

8 Comentários

  1. Eloisa Costa 27/06/2017 em 08:56 - Responder

    Muito bem, Beth. Eu estou com 60 e também me lançando nesses desafios maravilhosos. Fiz há 2 meses a Pedra da Gávea e semana passada 66 Km de Travessia dos Lençóis Maranhenses. ” “Bora viver “.

  2. Aline 27/06/2017 em 23:05 - Responder

    Bom, primeiramente emocionada aqui!
    Ela é isso tudo e muito mais! Tive o prazer de estar ao lado dela no rapel E só posso dizer que ela inspira qualquer um!
    Linda linda!!! Por dentro e por fora. Belo texto

  3. Juraci Vieira Gutierres 27/07/2017 em 18:02 - Responder

    Marta, é um prazer acompanhar o crescimento do Mundo Prateado.
    Da timidez de um Blog para o sucesso de oportunas e boas iniciativas.
    Abração para a equipe, sucesso sempre.

    • Luiza Morena 31/07/2017 em 10:43 - Responder

      Juraci, fico feliz em estar nos acompanhando. Seguimos juntos sempre! Um abraço, Marta

  4. Carlos Alberto 28/07/2017 em 09:38 - Responder

    Excelente matéria, quanta motivaçao ! Que aprendizado , (mas a idade me faz tentar ser uma pessoa melhor e Não é tarde se voce quiser de verdade aquilo ). Meus parabéns ! As edições do Mundo Prateado, tem contribuído muito para valorizar mais a vida . Parabéns ! Carlos Alberto.

    • Luiza Morena 31/07/2017 em 10:39 - Responder

      Olá Carlos, ficamos muito felizes em ter esse canal de comunicação com você e, de certa forma, de fazer parte dessas reflexões tão importantes em qualquer fase da vida. Sempre que quiser nos escreva e compartilhe as suas ideias. Seguimos juntos!

      Um abraço,

      Luiza

  5. Marcelo Nunes 31/07/2017 em 13:55 - Responder

    Que delícia de história! Motivadora, inspiradora para desmitificar a crença de que o “tempo já passou, não é hora disso”. Parabéns a Beth Blamire pela coragem e ousadia, parabéns Luiza e toda equipe Mundo Prateado pela feliz coleta dessa história e de todas outras incríveis e, por certo, novas histórias que surgirão!. UBUNTU!

    • Luiza Morena 08/08/2017 em 15:34 - Responder

      Olá Marcelo, seguimos compartilhando histórias como essa, que desmitificam a imagem do “velho” e nos apresentam os “novos velhos”. Aqueles que somos/ seremos todos!

      Um abraço,

      Luiza

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