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Luisa Regina Pessôa

Luisa Pessôa: arquitetura para o envelhecimento e república de idosos

O contato com histórias de vida as mais diversas despertou em Luisa Pessôa uma atenção especial para a questão do envelhecimento e a percepção de que em pouco tempo passaria a ser uma realidade na sociedade brasileira. Foi quando, entre 1995 e 1996, trabalhou no Abrigo Cristo Redentor, uma instituição de longa permanência para idosos, no Rio de Janeiro, que àquela época, contava com uns 500 internos.

Entre os residentes do Abrigo, muitas pessoas, em sua maioria mulheres, antes de chegarem lá, viviam uma vida normal: trabalhavam, tinham uma profissão – eram professoras, secretárias, funcionárias públicas – tinham sua aposentadoria.
Na realidade, o que aquelas mulheres tinham em comum, e que foi definitivo para estarem ali, naquele abrigo de indigentes, era o fato de não terem uma casa própria e serem solitárias.

Algumas viviam com parentes que faleceram, ou se casaram, e sem lugar para morar, pela impossibilidade de pagarem um aluguel, a única opção foi encontrar moradia no Abrigo.

Naquele momento, Luisa, arquiteta e pesquisadora em Saúde Pública, teve a clareza da importância da casa própria para um envelhecimento com dignidade. Um teto, os parentes e/ou os amigos faziam a diferença na vida das pessoas.

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O tempo passou, Luisa escreveu sobre o tema, publicou artigos alertando sobre a questão, mas não conseguiu mobilizar as instituições públicas, ou privadas, para o enfrentamento de modo coletivo para este problema que emergia ano a ano.

Em 2009, passando férias de verão no município de Búzios/RJ, encontrou um condômino com 330 lotes em início de ocupação, ainda com poucas casas, e acessível do ponto de vista do custo e da forma de pagamento de um lote com 450m2 a 465m2.

Nesse momento, surgiu a ideia de buscar à sua volta amigos e parentes sem casa própria, na faixa de 50 a 55 anos, em plena vida profissional produtiva, e quase os intimou a comprarem os lotes e a iniciarem um plano de poupança para a construção da sua casa própria. Alguns precisaram de ajuda paraa construir o sonho, pois a construção de uma casa parecia uma coisa tão distante que não se permitiam nem sonhar com a ideia….

Folder República de Idosos

Folder República de Idosos

Luisa sentou com cada um, para entender seus rendimentos, ajudar a construir a viabilidade financeira para a execução do projeto, só viável emocionalmente pela construção do desejo de ter a casa própria e, para tal, a necessidade de poupar, focar no objetivo, se privar de viagens, passeios, jantares e outros prazeres por um ou dois anos…

Hoje, neste condomínio, há cinco casas já construídas, contando com a casa de Luisa. São cinco famílias felizes e usufruindo do conforto e da segurança da casa própria, certas de que podem se aposentar com a tranquilidade de ter um lugar para morar e amigos por perto.

Uma casa compartilhada entre quatro amigos inicia a construção ainda em 2016, e outra, ainda em fase de projeto arquitetônico, começará em 2017. Em Porto Alegre, seguindo a mesma metodologia, amigos se organizaram para a compra de um apartamento em construção, e já estão usufruindo da nova moradia.

Vista geral - república de idosos

Vista geral – república de idosos

Com a introdução no Brasil do conceito de cohousing, a conquista da casa própria fica mais acessível. Um novo conceito de moradia em centros urbanos, onde a formação de novos vínculos coloca-se como uma possibilidade. Compartilhar a casa com seus amigos, dividir custos, e viver em um ambiente acolhedor e solidário gera felicidade e qualidade de vida, reduzindo o adoecimento e a solidão.

O projeto de Luisa inclui planejamento financeiro, busca de um imóvel, projeto arquitetônico e a realização da obra. Ela convoca todos a participar de um encontro com pessoas que já vivenciaram a experiência e que podem dar seus depoimentos do que foi poupar, acreditar que conseguiria fazer, que iria lutar para ter a segurança de uma casa própria na aposentadoria.

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Por | 2017-07-18T14:18:24+00:00 12/04/2016|6 Comentários

6 Comentários

  1. Valdir Alvares 03/04/2017 em 19:21 - Responder

    Uma experiência inovadora e inspiradora, uma vez que o objetivo final é de promover a integração, compartilhamento dá vida cotidiana de uma forma alegre, ativa e diferente.
    Tenho muito interesse em conhecer melhor o projeto, pois eu e minha esposa temos em nosso coração a vontade de realizar um modelo parecido.

    • Luiza Morena 04/04/2017 em 12:17 - Responder

      Olá Valdir, o contato da Luisa está disponível no nosso Guia de Produtos e Serviços aqui. Ficamos felizes em promover essa conexão.

  2. Vanja Sueli de Almeida Rocha 17/04/2017 em 21:12 - Responder

    Qua de a logística desse tipo de moradia?
    É tipo “hotel” dá terceira idade?

    • Luiza Morena 24/04/2017 em 11:25 - Responder

      Olá Vanja, nesse caso não são hotéis e nem instituições de longa permanência, mas moradias compartilhadas, em que amigos ou conhecidos decidem comprar um imóvel e dividir as suas despesas para ali viverem, ou no caso do condomínio apenas envelhecerem em comunidade com outras pessoas na mesma situação e com o mesmo estilo de vida. Temos uma matéria bem bacana (você pode lê-la aqui!) que traz algumas opções de lugares para se envelhecer.

  3. Elza M B Araujo 14/06/2017 em 21:56 - Responder

    Existem esses tipos de moradias que aceitam novas pessoas, no Rio de Janeiro?
    Gostaria de conhecer.

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