A Arte de Viver é na verdade a Arte de Partir

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“As ideias e os propósitos podem fazer com que a vida da gente mude”, Fernando Félix

Eles trocaram o tão temido peso da idade pelo limite de 13 kg permitido nas malas para voos internos. Afinal, tem coisa melhor do que alma leve e vida sem excessos para serpentear por ai? Cúmplices do desapego e com uma filosofia de vida que pode ser resumida em “Precisamos de muito pouco para sermos felizes. E confiança e colaboração ajudam muito pelo caminho”, Cristina Balari e Fernando Félix saíram da zona de conforto e decidiram, na maturidade, tirar um ano sabático. Vem saber mais.

Carreiras consolidadas no mercado, vidas planejadas, casa própria. O casal era praticamente a realização do sonho de grande parte dos brasileiros – sim, estamos falando dos Baby Boomers – que cresceram aprendendo que “o caminho para a realização pessoal passa por segurança física e acumulação. Que para viver bem é preciso ter bens. E que as demais pessoas são um perigo potencial, especialmente quando são desconhecidas”, controvérsia que Cristina emenda logo em seguida como um dos maiores aprendizados da viagem: “nossa decisão nos colocou diante de duas situações: a descoberta de que o mundo é bem melhor do que o que se diz por aí e que quando temos um ideal, um propósito claro, o fluxo do Universo contribui para sua realização.”

Para que o sonho se transformasse em realidade muitas conversas antecederam o ano da partida e mais simples do que possa parecer, segundo o casal, o planejamento financeiro não contou com planilhas avançadas de Excel ou um consultor financeiro ao lado. Eles partiram das essencialidades. “Ajuda muito responder a perguntinha: Do que realmente preciso para viver? Comece pela escova de dente e os medicamentos. Ponha foco no essencial. Fizemos uma lista simples das coisas que eram realmente fundamentais. Como tínhamos que resolver a questão da bagagem isso passou a ser um exercício de minimalismo em si.”, conta Cristina. As passagens compradas foram apenas as de ida.

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“Nas viagens, assim como na vida, quanto mais leve é a mochila, mais longe se consegue chegar.”, Cristina Balari

 

 

 

Com alguns lugares do mundo pré-determinados para conhecerem, os prateados venderam carros, bicicletas, caiaque e outras coisas que se tornaram supérfluas. A casa em que moravam, único bem que mantiveram no Brasil, transformaram em fonte de receita em vez de despesa através do aluguel pelo Airbnb, administrado à distância. Esforços esses que contribuíram não só para um trabalho de desapego, mas como uma entrada a mais para o caixa da viagem que ainda cresceu com os trabalhos realizados à distância e uma redução das despesas através de recursos das plataformas de economia colaborativa que passaram a utilizar.

Elaborar o roteiro foi a parte mais empolgante. Com um mapa aberto sobre a mesa o casal  escolheu as cidades que mais se interessava em conhecer e a partir daí criaou possíveis rotas definidas, segundo eles, através de três estágios: interesses, possibilidades e viabilidade. Tudo necessitava entrar no pacote e eles não se fecharam para nenhuma alternativa: alojamento, acomodação, trabalho, opções de voluntariado etc. A flexibilidade no roteiro possibilitou a chegada a lugares inimagináveis em que, muitas vezes, permitiram-se encantar e ficaram. Sem pressa para ir embora.

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Adeptos do que chamam de “slow travel” – viajar devagar – o relógio tornou-se companhia dispensável e com isso a jornada prevista para durar um ano sabático durou dois exploratórios até transformar-se em um estilo de vida nômade. Nas palavras de viajantes maduros: “Viajar devagar faz a gente conhecer melhor e descobrir coisas inusitadas. Um dos nossos melhores momentos foi uma visita a uma senhora catalã de mais de noventa anos, ávida leitora e apaixonada pela vida. Dedicamos uma tarde inteira em Barcelona para tomar chá com biscoitos e ouvir suas histórias enriquecidas pela narrativa cheia de detalhes que acompanhavam o brilho nos seus olhos cada vez que mencionava um episódio de sua fuga da guerra civil atravessando os Pirineus.”

Sempre atentos aos fluxos do Universo e em agradecimento à experiência vivida por cada cidade e casa que passaram ou pessoa que encontraram no caminho Cristina e Fernando doaram-se por inteiros, escolheram conexões verdadeiras, experimentaram outras culturas, conviveram com as diferenças, aprenderam mais sobre os outros e sobre si mesmos e ensinaram também – além de dividir clássicos da culinária brasileira e espanhola que esquentaram e encheram muitas mesas com boas histórias.

De volta ao Brasil, o que eles trouxeram na bagagem não excedeu os 13 kg. “A aventura pode começar aos dezoito ou aos oitenta anos. Conhecemos histórias de sucesso nos dois extremos. Na verdade, a vida é uma realidade mágica, que ocorre dentro e fora de nossas cabeças. Há aqueles que se satisfazem viajando “intramuros” enquanto outros têm que cruzar as pontes “intramundos”. A duração e o momento da partida são completamente livres e ditados pelas necessidades internas de cada um. A viagem é uma grande metáfora da própria vida. A arte de viver é na verdade a Arte de Partir, porque a cada momento, percebamos ou não, estamos realizando uma partida.”

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Todo viajante de longo curso necessita ter mente e coração abertos”, Cristina Balari

Leia também a entrevista na íntegra:

  1. Qual é a filosofia que vocês vivenciam e compartilham com a Arte de Partir?

Nossa filosofia de vida pode ser resumida em: “Precisamos de muito pouco para sermos felizes. E confiança e colaboração ajudam muito pelo caminho”. Desde crianças, aprendemos que o caminho para a realização pessoal passa por segurança física e acumulação. Que para viver bem é preciso ter bens. E que as demais pessoas, são um perigo potencial, especialmente quando são desconhecidas! A decisão de sair pelo mundo nos colocou diante de duas situações: a descoberta de que ele é bem melhor do que o que se diz por aí e que quando temos um ideal, um propósito claro, o fluxo do Universo contribui para sua realização. É preciso de muito pouco para ser feliz.  Nosso “Manifesto” resume nossa filosofia de vida.

  1. Ao longo de uma viagem como se inserir, de fato, na cultura do lugar? Quais dicas vocês dariam para quem quer realmente conhecê-la a fundo?

Imagine-se como uma pessoa da terra. Faça um exercício de empatia, puxe conversa com os locais, especialmente as pessoas de mais idade. Pergunte sobre a vida, os valores, a situação geral, a história. Puxe conversa, mostre interesse e coisas interessantes acontecerão. Para uma boa experiência de vida local agende permanecer por alguns dias, de preferência mais de uma semana em um mesmo lugar.

Não se guie exclusivamente pelos roteiros turísticos. Pratique o “slow travel” – viajar devagar faz a gente conhecer melhor e descobrir coisas inusitadas. Um dos melhores momentos de uma das viagens foi uma visita que fizemos a uma senhora catalã de mais de noventa anos, ávida leitora e apaixonada pela vida. Dedicamos uma tarde inteira em Barcelona a tomar chá com biscoitos e ouvir suas histórias enriquecidas pela narrativa cheia de detalhes que acompanhavam o brilho nos seus olhos cada vez que mencionava um episódio de sua fuga da guerra civil atravessando os Pirineus.

Se possível, aprenda algumas palavras e frases usuais. No nosso livro “Volta ao mundo em 80 dicas” damos sugestões sobre isso. Uma boa prática é visitar como cliente um salão de beleza ou barbearia local. Aproveite para cortar o cabelo enquanto interage com o cabeleireiro ou com os clientes que compartilhem o idioma comum. Normalmente, o inglês é a língua mais falada na maior parte dos lugares.

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  1. Quando decidiram partir como organizaram o planejamento financeiro e o roteiro? E como administraram o que ficou no Brasil à distância?

Conversamos muito sobre isso durante o ano que antecedeu a nossa partida e tínhamos um sonho comum e alguns lugares do mundo que queríamos conhecer. Preparar o planejamento financeiro é algo bem mais simples do que se pode imaginar. Não é preciso nenhuma planilha de Excel avançado ou um consultor financeiro pessoal. Basta partir das essencialidades. Ajuda muito responder a perguntinha: “Do que realmente preciso para viver?” Comece pela escova de dente e os medicamentos. Ponha foco no essencial.

Fizemos uma lista simples das coisas que eram realmente importantes. Como tínhamos que resolver a questão da bagagem, isso passou a ser um exercício de minimalismo em si. Fizemos uma reserva para viver um ano sabático e partimos com passagem apenas de ida. Nas viagens, assim como na vida, quanto mais leve é a mochila mais longe se consegue chegar. O orçamento esticou e foi crescendo com os trabalhos que seguimos realizando à distância. Também com os recursos das plataformas de economia colaborativa que passamos a utilizar e ajudaram com a redução dos custos. No Brasil, a nossa casa tornou-se fonte de receita em vez de despesa, porque alugamos pelo Airbnb. Vendemos carros, bicicletas e caiaque, além de outras coisas não essenciais. Isso acabou gerando uma entrada a mais para o caixa da viagem. A administração do único bem que ficou, a casa, pode ser feita pela internet. Além disso, ter um bom vizinho sempre ajuda nas emergências.

Elaborar o roteiro é a parte mais empolgante da viagem. Normalmente fazemos isso com um mapa aberto sobre a mesa. Selecionamos cidades que nos interessam conhecer. Daí rascunhamos possíveis rotas. O processo passa por três estágios: interesses, possibilidades e viabilidade. Neste momento entram as alternativas de alojamento, acomodação, trabalho, opções de voluntariado e infraestrutura. Com o tempo passamos a fazer isso de uma forma mais fluída, quase natural. Em nosso caso, sempre estamos abertos a novas possibilidades. Os roteiros são flexíveis, permitindo-nos conhecer lugares não programados e pessoas fantásticas.

  1. Vocês optaram por uma viagem de imersão, em que muitas vezes ficam hospedados na casa de desconhecidos. Como acontece a criação de conexão com pessoas que vocês nunca viram na vida? É algo orgânico ou que vocês precisaram trabalhar e adaptar ao longo dessa jornada?

Todo viajante de longo curso necessita ter mente e coração abertos. O processo de intercâmbio se dá nos dois sentidos. Consideramos que o principal “trabalho” a ser feito é o de cada um consigo mesmo. Trabalhar os próprios medos, crenças e convicções. À medida que avançamos na viagem, recebemos convites de amigos ou novos conhecidos para uma ou duas noites e ajustamos o itinerário de acordo com isso.

O “Couchsurfing”, que utilizamos bastante em certos trechos, acabou sendo um diferencial na nossa viagem. Uma comunidade internacional disposta a receber viajantes gratuitamente em troca de boas histórias. A tradição manda que o convidado retribua de alguma forma. Em nosso caso, pratos típicos espanhóis e brasileiros sempre foram sinônimos de sucesso.  Descobrimos que não existem barreiras de idade para isso. O que conta é o espírito e o astral do viajante.

Um bom “profile” nos portais de intercâmbio de trabalho, troca de casas e cuidados de mascotes ajuda a ampliar a rede de relacionamentos e de suporte. Nesses casos, não conhecemos os anfitriões – o que requer mais atenção no planejamento e contatos prévios. É fundamental uma postura ética e proativa oferecendo sempre ajuda por onde passar.  A Dica 10 de nosso livro sintetiza isso.

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  1. Para os deslocamentos, além de avião vocês escolheram meios de transporte alternativos? Se sim, por quê? Como foi a experiência?

Para percursos longos optamos por aviões, barcos, ferrys, trens e ônibus. Para percursos curtos ou dentro das cidades foram muito úteis as motos – especialmente na Ásia – ou bicicletas na Europa e nos Estados Unidos. Usamos muito também o aplicativo do Uber, algumas caronas e Blablacar, um sistema de compartilhamento de autos em que as pessoas fazem rateio dos custos da viagem. Em geral, os meios chamados “alternativos” acabam sendo os mais agradáveis e baratos, além de propiciarem ricas experiências, histórias e amizades – a tal ponto que a empresa francesa “Blablacar”, acabou destacando nossa história em sua página quando começaram sua operação no Brasil.

No quesito deslocamento nossa regra é sempre estar aberto às possibilidades. Na Europa e nos Estados Unidos as instalações e recursos para viajantes idosos ou com alguma necessidade especial são cada vez mais frequentes. Na Ásia e em alguns outros lugares pode ser necessário fazer uma pesquisa pela internet. Ajudam muito os grupos de discussão e as redes sociais.

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  1. Quais os maiores desafios que vocês passaram e o que eles ensinaram?

Os maiores desafios em geral estão dentro de nós mesmos. Confiar, vencer os preconceitos arraigados em nossas cabeças, aceitar o diferente, dormir em casas de pessoas desconhecidas, trocar nossa casa, provar comidas diferentes e sobreviver vários meses com uma bagagem de 13kg por pessoa. Cada dia acordamos com o inusitado batendo à nossa porta. Temos duas opções: fingir que não estamos ou deixá-lo entrar em nosso dia. Sempre ficamos com a segunda. Assim, lidar com animais domésticos e, em alguns casos, selvagens ou desconhecidos, participar de algumas caminhadas noturnas pela mata de Bornéu ou mergulhar no mar da China, embora possam parecer ações de alto risco, acabam sendo fontes de muito prazer e muitas histórias novas para nosso diário. Uma injeção de vitalidade!

A superação de cada novo desafio acaba contribuindo para o aumento da nossa autoestima e para a compreensão de nosso papel no Universo. Sempre respeitando nossos limites e os da natureza à nossa volta descobrimos que a idade nunca foi um limitador para nossas explorações.

  1. Diante dessa experiência que vocês viveram não saber outra língua além do português é uma barreira?

Nós falamos português, espanhol e inglês. Isso ajuda a cobrir praticamente todo o roteiro. O português é pouco conhecido na Ásia e em várias outras regiões do mundo. Nesses casos, a solução para aqueles que não querem ter a língua como barreira é investir em um bom celular, ativar um chip local e usar o Google Translator. E sempre, em qualquer parte do mundo, é possível lançar mão da linguagem dos sinais: a comunicação gestual. Em nosso caso, tivemos que fazer isso algumas vezes, especialmente na Bósnia e no interior da Malásia ou do Camboja.

  1. Durante uma viagem longa como essa que vocês fizeram existe rotina? Se sim, qual a necessidade em mantê-la?

O ser humano necessita preservar alguns hábitos para manter o próprio equilíbrio, especialmente em uma viagem de longa duração. Bons hábitos ajudam a ancorar nosso ser especialmente quando se vive uma vida em constante mudança. Como nossa pouca rotina mantivemos os hábitos higiênicos, a atividade física regular – alongamentos simples – escrever, meditar e ler. A alimentação é um capítulo à parte. Nós adoramos experimentar os sabores do mundo, mas para manter o manequim é bom atentar para a Dica 37 do nosso livro. Todo o resto foi uma caixinha de surpresas aberta a cada dia.

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  1. Para quem deseja adotar esse estilo de vida: onde vocês buscavam informações confiáveis sobre saúde e segurança dos locais a serem visitados? Quais as plataformas digitais que vocês recomendam cadastro e uso para a pessoa seguir esse caminho?

No nosso site e também em nosso livro (Volta ao mundo em 80 dicas) disponibilizamos algumas informações sobre as melhores plataformas para uma vida colaborativa pelo mundo. O importante é começar.

Verificar as exigências sanitárias e as informações sobre vacinas e segurança também é fundamental. Muita coisa pode ser achada nos sites dos Ministérios e nas embaixadas dos países a serem visitados. Seguro saúde é um investimento essencial. Existem várias opções no mercado com boa resposta e cobertura global. Vale pesquisar na internet e visitar também os grupos de discussões nas redes sociais.

  1. Vocês acham que existe um tempo ideal para fazer uma viagem dessas? Porque dois anos?

Não existe tempo ideal. Depende dos múltiplos interesses de cada pessoa e de como ela se sente preparada ou não para ir atrás de seus sonhos. Podem ser umas férias diferentes, um período sabático ou o início de um novo estilo de vida. A aventura pode começar aos dezoito ou aos oitenta anos. Conhecemos histórias de sucesso nos dois extremos. Na verdade, a vida é uma realidade mágica, que ocorre dentro e fora de nossas cabeças. Há aqueles que se satisfazem viajando intramuros enquanto outros têm que cruzar as pontes “intramundos”. A duração e o momento da partida são completamente livres e ditados pelas necessidades internas de cada um. No nosso caso, decidimos começar depois de muitos anos de carreira profissional tradicional. O ano sabático inicial acabou convertendo-se em dois anos exploratórios que agora viraram um estilo de vida. Hoje estruturamos nossa vida como nômades digitais: podemos trabalhar à distância desde que exista internet disponível.

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  1. Vida e viagem. Alguma semelhança?

Pode-se ver a vida como uma grande viagem de ida. E viver é ter a coragem de riscar o caderno branco de nossa existência escrevendo uma nova página a cada dia. A viagem é uma grande metáfora da própria vida. A arte de viver é na verdade a Arte de Partir, porque a cada momento, percebamos ou não, estamos realizando uma partida.

Gostou dessa entrevista? Vemos constantemente por aí textos sobre “viagem para terceira idade”. E qual seria exatamente essa viagem? Para a Cristina e o Fernando foi uma volta ao mundo. Compartilha com a gente as suas experiências!

Ao longo da entrevista eles deram várias dicas contidas no e-book gratuito “Volta ao Mundo em 80 Dicas”. Clique aqui para baixá-lo.

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Por | 2017-07-18T14:18:22+00:00 28/03/2017|2 Comentários

2 Comentários

  1. Sonia israel 04/05/2017 em 07:21- Responder

    Meus comentários tem sido rejeitados com a mensagem” esse comentário já foi postado”

    • Luiza Morena 04/05/2017 em 09:02- Responder

      Olá Sônia, tudo bem? Recebemos o seu comentário na matéria sobre Novidades Tecnológicas. Pode ter acontecido algum erro interno no site, mas pode ficar tranquila que já está tudo certo!

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