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Zyla Rosa

Zyla Rosa de Oliveira Augusta Carlota Mourão de Souza Leite. Nome nobre? Atitudes também. Coordenadora do Núcleo de Assistência Social do Condomínio Novo Leblon, na Barra da Tijuca, onde mora há 33 anos, Zyla dedica boa parte do seu tempo à caridade, com foco na confecção e doação de enxovais para bebês carentes, principalmente ligados aos funcionários e empregados domésticos do condomínio.

“Aprendi com minha mãe que a caridade começa em casa”, diz, ainda obediente. No entanto, quando é para seguir as habituais recomendações de cuidados para os idosos, Zyla não parece ter 88 anos e sai na contra mão. Não faz questão de usar filas preferenciais, acha um absurdo ter direito à meia entrada no teatro e fica impaciente quando a família, segundo seu ponto de vista, exagera nos cuidados. “Não é que eu queira negar minha idade, mas acho chato quando minhas filhas querem me impedir de ir sozinha ao Centro da Cidade. Gosto de passear onde trabalhei a vida toda. Ah, isso é cercear o direito do idoso!”, conclui, achando graça de si mesma.

Viúva há 20 anos, Zyla tem uma agenda cheia. Faz hidroginástica, RPG, adora ler e só não faz mais porque tem preguiça. Recentemente, sentiu o coração bater de novo; rolou um reencontro com um amor da juventude. “Era maravilhoso, dois idosos passeando, gostando das coisas. Mas ele de repente foi embora”, conta, sem muito drama.

Quisemos saber se ela não podia dar um jeitinho de buscar a reconciliação, mas foi taxativa: “não tenho idade pra andar atrás de ninguém, não”! Alegre e determinada, Zyla confessa, rindo, que “não tem nada de melhor pro idoso, não”, mas com uma certa saúde e a cabeça boa, conclui: “quero viver até uns 94, 98”. Bacana. Ela nem percebe que conta os anos de quatro em quatro.

Fotografias: Arthur Valladão

Por | 2015-08-24T09:04:08+00:00 06/07/2015|0 Comentários

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